domingo, 29 de dezembro de 2013

A contradição do PCP

Vou explicar em passos simples porque razão é o PCP a negação de si próprio. E o que é válido para o PCP, é-o para qualquer partido comunista, não é um exclusivo português. Comecemos por assumir que não existem organizações suicidas. Ou seja, nenhuma organização trabalha no sentido da sua auto-destruição. Como corolário desta assumpção, e como os partidos políticos são organizações, concluímos que nenhum partido político tem como objectivo a sua auto-destruição. Eles apenas querem destruir os outros partidos políticos. Agora olhemos para o PCP em particular. Quem são os eleitores e apoiantes do PCP? Tipicamente os agricultores; a classe operária; as pessoas com menos instrução e as pessoas com menos recursos económicos. Como os eleitores e apoiantes são o que dá força a um partido, a implicação é óbvia: - O PCP será mais forte quanto mais pessoas sem instrução e mais pessoas sem dinheiro houver em Portugal! Portanto, quando os elementos do PCP dizem que querem mais e melhor educação, quando dizem que querem melhores salários, estão a apelar ao seu enfraquecimento como partido. Estão a apelar à sua auto-destruição. O que cria uma contradição com o início deste post, onde vimos que não existem organizações suicidas.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Ensinar a Poupar

Os Portugueses que temos, são aqueles que criámos.
Quando deram tudo aos filhos, os pais criaram filhos que esperam que tudo lhes caia no colo. E quando isso não acontece fazem uma birra. Protestam em vez de trabalhar.
Outra prática imbecil, é a de evitar que as crianças sofram uma decepção e de as formatar para terem todas os mesmos direitos sem terem os mesmos deveres. Exemplos disso são:
- pais que deixam os filhos ganhar sempre;
- professores que dizem que um aluno, se quer convidar alguém para a sua festa de aniversário, tem de convidar todos os colegas, não interessa se alguns são seus amigos e outros lhe batem no intervalo.

Não é por isso de admirar, apesar de ser de lamentar, os adultos que agora temos, que acham que têm direito a tudo o que os outros têm, sem querer saber se trabalharam e produziram o mesmo.
Foram desses adultos mimados que fizeram cenas tristes ontem no Pingo Doce. Os produtos são do Pingo Doce, e o Pingo Doce tem o direito de fazer as ofertas que quiser, quando quiser e a quem quiser.
Estas dezenas de pessoas limitam-se a provocar custos para o erário público, uma vez que obrigaram à intervenção da policia, e possivelmente a processos no tribunal.

Se as nossas leis fossem justas, estas pessoas teriam de repor os custos que fizeram o país incorrer, sejam desempregados ou não. É assim que se ensinam as crianças mimadas, fazendo-as perceber que são responsáveis pelas suas acções.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Expectativas e realidade

Um dos pontos onde mais negócios falham é na gestão de expectativas.
Tantas vezes sem necessidade. Porque o produto até é bom, e seria vendido na mesma, sem elevar as expectativas a níveis que depois não são cumpridos, ficando o cliente a sentir-se defraudado.

Um exemplo passou-se comigo hoje na Empadaria do Chef no CC Colombo.
Um cartaz com uma fotografia e uma fatia de bolo de chocolate estava em destaque, não resisti e pedi. Quando me puseram a fatia no tabuleiro, era uma mini-fatia de bolo de chocolate.
Podia ter mandado para trás, cancelar o pagamento já efectuado, obrigar a nova emissão de recibo, etc., mas a verdade é que me apetecia o bolo a seguir à empada com arroz malandro e por isso deixei seguir.
Ainda bem que o fiz porque o bolo, tal como a empada, estava óptimo. Mas ficou-me este latente sentimento de frustração, que me faz estar a escrever este post.
Sendo que fiquei plenamente saciado do meu apetite por chocolate com a fatia de bolo que me serviram, e que teria comprado a sobremesa mesmo que a fatia no cartaz fosse a da dose que é efectivamente servida, fica-me a dúvida se o erro está no cartaz onde foi retratada uma fatia demasiado generosa, se a Empadaria do Chef do CC Colombo está a tentar aumentar o lucro servindo doses de bolo de chocolate abaixo do tamanho definido.

Seja qual for a razão, é com detalhes destes na que uma experiência que podia ser óptima, fica apenas boa. Cria no cliente uma visualização do produto que vai consumir, e mesmo que o produto seja excelente, acaba por ficar abaixo das expectativas criadas.

domingo, 8 de dezembro de 2013

A prova dos professores

Por estes dias, é a maior polémica no país.
A prova que começou por ser para todos os professores fora do quadro, mas que afinal os professores com mais de 5 anos de serviço podem pedir dispensa, é um caso onde ninguém fica bem na fotografia.

Por um lado, o Ministério da Educação acaba por esvaziar uma iniciativa, que poderia ter sido importante, de toda a relevância, e transforma-a em algo que vai resultar numa mão cheia de nada.
Por outro lado, os sindicatos dos professores e os professores que os seguem (não são todos) demonstram mais uma vez o seu autismo ao recusar liminarmente esta prova sem propor qualquer tipo de alterativa.

Comecemos pelo Ministério da Educação. Qual era o seu objectivo com esta prova?

1) Reduzir funcionários públicos
Este foi o objectivo mais idiota que eu ouvi sugerido por quem estava contra. Se a prova é para os professores contratados, que não são funcionários públicos nem estão vinculados à função pública de nenhuma forma, esse objectivo não faz sentido.
Mesmo que a prova fosse para todos os professores, qual seria a probabilidade de conseguir despedir funcionários públicos com base no resultado de uma prova? Com a justiça que temos... nenhuma.

2) Condicionar o acesso dos professores contratados aos lugares de professor
Ou seja, garantir um nível mínimo de cultura geral e de conhecimentos específicos que uma pessoa tem de ter para estar qualificado para leccionar. Aí estou plenamente de acordo, e até aplaudo de pé. Não conseguimos vermo-nos livres dos maus professores que já entraram no sistema, mas pelo menos a longo prazo garantiamos que a qualidade dos professores subia.
Percebo que isto faça muita confusão à FenProf e a Mário Nogueira. Afinal se os professores forem todos inteligentes quem é que ia acreditar nas parvoíces que ele diz.
Mas se o objectivo era este, porquê este golpe de teatro de permitir que os contratados com mais do que 5 anos de serviço não façam a prova? Ou não fazer a prova tem consequências, e não as divulgar é desonesto, ou não tem, o que torna a prova irrelevante para quem tem mais do que 5 anos de serviço. Como os que têm menos de 5 anos de serviço dificilmente vão conseguir um lugar para ensinar nos próximos anos, a prova perde toda a utilidade.

Quanto aos sindicatos e professores associados, que contra argumentos têm contra esta medida:

1) Os professores já "foram sujeitos a avaliação académica e profissional, a qual lhes confere as condições exigidas para o exercício da profissão docente"
Isto devia ser verdade, mas infelizmente não é.
Existe uma disparidade enorme entre os níveis de exigência das diversas instituições de ensino que formam professores, e os meus 11 anos como aluno, quer nos mais de 30 anos como filho de uma professora, quer nos mais de 10 como marido de uma professora contratada me confirmaram isso. (Sim, senhores do Piaget e da Lusófona, estou a olhar para vocês!)

2) É uma indignidade os professores terem de fazer uma prova
A sério? Mas também não queriam uma avaliação feita pelos seus pares como o último governo socialista implementou. Afinal como querem os professores ser avaliados?
Os professores competentes aceitam ser avaliados de qualquer maneira. Preferem ser avaliados pelo desempenho das suas funções, feita por entidades independentes, como está a ser feita hoje em dia a avaliação nas mudanças de escalão, mas uma prova também serve. São os incompetentes que estão contra qualquer tipo de avaliação, porque uma avaliação vai trazer a lume essa mesma incompetência.

Portanto, em conclusão, não vale a pena tanto barulho, palpita-me que esta prova não vai servir para nada.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Adeus, Sr. Mandela

Morreu o homem que no século XX mais lutou pela igualdade e fraternidade entre todas as raças.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Este blog não começa hoje por acaso

Faz hoje 33 anos que um atentado marcou a história de Portugal e mudou o rumo que o governo de então estava a traçar para o país.
Foi preciso esperar mais de 30 anos para termos de novo um governo com coragem para tentar agitar as águas e fazer o país galgar obstáculos, em vez de simplesmente deslizar lentamente para o abismo.
Desta vez, os interesses instalados ainda não recorreram a um atentado, mas uma série de outras armas, tão sujas como uma bomba, estão a ser usadas para tentar deixar o país na mesma. É isso que dá sentido a este blog.