domingo, 8 de dezembro de 2013

A prova dos professores

Por estes dias, é a maior polémica no país.
A prova que começou por ser para todos os professores fora do quadro, mas que afinal os professores com mais de 5 anos de serviço podem pedir dispensa, é um caso onde ninguém fica bem na fotografia.

Por um lado, o Ministério da Educação acaba por esvaziar uma iniciativa, que poderia ter sido importante, de toda a relevância, e transforma-a em algo que vai resultar numa mão cheia de nada.
Por outro lado, os sindicatos dos professores e os professores que os seguem (não são todos) demonstram mais uma vez o seu autismo ao recusar liminarmente esta prova sem propor qualquer tipo de alterativa.

Comecemos pelo Ministério da Educação. Qual era o seu objectivo com esta prova?

1) Reduzir funcionários públicos
Este foi o objectivo mais idiota que eu ouvi sugerido por quem estava contra. Se a prova é para os professores contratados, que não são funcionários públicos nem estão vinculados à função pública de nenhuma forma, esse objectivo não faz sentido.
Mesmo que a prova fosse para todos os professores, qual seria a probabilidade de conseguir despedir funcionários públicos com base no resultado de uma prova? Com a justiça que temos... nenhuma.

2) Condicionar o acesso dos professores contratados aos lugares de professor
Ou seja, garantir um nível mínimo de cultura geral e de conhecimentos específicos que uma pessoa tem de ter para estar qualificado para leccionar. Aí estou plenamente de acordo, e até aplaudo de pé. Não conseguimos vermo-nos livres dos maus professores que já entraram no sistema, mas pelo menos a longo prazo garantiamos que a qualidade dos professores subia.
Percebo que isto faça muita confusão à FenProf e a Mário Nogueira. Afinal se os professores forem todos inteligentes quem é que ia acreditar nas parvoíces que ele diz.
Mas se o objectivo era este, porquê este golpe de teatro de permitir que os contratados com mais do que 5 anos de serviço não façam a prova? Ou não fazer a prova tem consequências, e não as divulgar é desonesto, ou não tem, o que torna a prova irrelevante para quem tem mais do que 5 anos de serviço. Como os que têm menos de 5 anos de serviço dificilmente vão conseguir um lugar para ensinar nos próximos anos, a prova perde toda a utilidade.

Quanto aos sindicatos e professores associados, que contra argumentos têm contra esta medida:

1) Os professores já "foram sujeitos a avaliação académica e profissional, a qual lhes confere as condições exigidas para o exercício da profissão docente"
Isto devia ser verdade, mas infelizmente não é.
Existe uma disparidade enorme entre os níveis de exigência das diversas instituições de ensino que formam professores, e os meus 11 anos como aluno, quer nos mais de 30 anos como filho de uma professora, quer nos mais de 10 como marido de uma professora contratada me confirmaram isso. (Sim, senhores do Piaget e da Lusófona, estou a olhar para vocês!)

2) É uma indignidade os professores terem de fazer uma prova
A sério? Mas também não queriam uma avaliação feita pelos seus pares como o último governo socialista implementou. Afinal como querem os professores ser avaliados?
Os professores competentes aceitam ser avaliados de qualquer maneira. Preferem ser avaliados pelo desempenho das suas funções, feita por entidades independentes, como está a ser feita hoje em dia a avaliação nas mudanças de escalão, mas uma prova também serve. São os incompetentes que estão contra qualquer tipo de avaliação, porque uma avaliação vai trazer a lume essa mesma incompetência.

Portanto, em conclusão, não vale a pena tanto barulho, palpita-me que esta prova não vai servir para nada.

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