Na semana passada, dois destaques que andaram pelas noticias, em esferas completamente diferentes, provocaram-me náuseas, pelo que têm em comum, o joguinho sujo de bastidores que já era tempo de erradicar do nosso país.
Uma delas foi a gincana política do referendo sobre a adopção e co-adopção por parte da JSD. A outra o joguinho psicológico do presidente do FC Porto sobre a arbitragem.
Quanto ao presidente Pinto da Costa, infelizmente já estamos habituados.
Quem quis, ouviu provas inequivocas de que controlou a nomeação dos árbitros durante anos (as escutas andaram em tempos pelo youtube) mas como os juízes da comarca do Porto frequentam o camarote do estádio do dragão, é como se não tivesse acontecido nada.
Quanto ao Benfica-Porto de que se queixa, eu vi o jogo.
O que eu vi foi um árbitro a favorecer o porto durante 80 minutos, enquanto o jogo ainda estava em discussão, e depois a decidir dois lances polémicos a favor do Benfica nos últimos 10 minutos quando:
- o Porto já tinha o jogo perdido;
- decidir esses dois lances a favor do Porto ia tornar demasiado óbvia a parcialidade.
Diria até que os alegados erros finais do árbitro do encontro deram muito jeito a Pinto da Costa para ele se queixar, e tpar com a peneira o facto de que os milhões que tem ganho com a venda de jogadores e treinadores não estão a ser rentabilizados...
Mais grave é o que aconteceu relativamente ao referendo da adopção e co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo.
O que está em causa não é o assunto ser a adopção de crianças por casais do mesmo sexo, nem se faz sentido um referendo sobre isso. O assunto é delicado, é fracturante, e uma consulta à população até pode fazer sentido. O que está em causa é a forma e o momento.
Então o governo tem passado todo o seu mandato a falar e a aplicar austeridade por causa da situação económica do país, e agora já há dinheiro para um referendo?!?
Eu conseguia perceber se fosse um referendo sobre uma questão essencial para o futuro do país, mas, com o devido respeito por todos os casais do mesmo sexo que pretendem adoptar uma criança e por todas as crianças que eventualmente teriam um vida melhor adoptadas por um casal do mesmo sexo que a instituição onde se encontram, quantos milhares de pessoas irá afectar o resultado deste referendo?
Justifica realmente fazer um referendo agora? Eu respondo: claro que não!
Então o que é que justifica esta iniciativa descabida, nesta altura, vinda do partido do governo, e que sabota claramente a mensagem que o governo tem passado ao país nos últimos 2 anos e meio?
Eu só vejo um lobby com poder para fazer o PSD dar tamanho tiro no pé. Para mais é um lobby que normalmente apoia o PSD e o CDS, que tem algum peso no país (cada vez menos), mas que ultimamente tem vindo a público criticar o governo (sem apresentar nenhuma alternativa). Estou a falar obviamente da igreja Católica.
Será este referendo o preço a pagar pelo silêncio da igreja até às próximas eleições?
Esta conversa levava ao laicicismo do nosso país, que está no papel, mas que não passa do papel... mas isso fica pra outro dia.
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