quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Os discursos de Cavaco

Há um ano, Cavaco brindou-nos com a sua convicção de que estávamos numa espiral recessiva.
Falta de fé nos 25% de Portugueses que levam às costas os outros 75%.
Mas um ano depois, cá estamos, sem espiral, pelo contrário com dois trimestres de crescimento (ainda muito tímido, é certo) mas que já devia ter feito muita gente vir fazer mea culpa a público.
Infelizmente, neste país os comentadores espalham-se ao comprido e depois assobiam para o ar como se não fosse nada com eles.

Cavaco também assobiou para o ar no seu discurso deste ano.
Falou do crescimento, mas esqueceu convenientemente o que tinha dito o ano passado. Falou do futuro pós Troika, falou de esperança.
Mas falou acima de tudo de consenso. Só que, como sempre, atirou o consenso ao ar, à espera que miraculosamente alguém o apanhe.
Ainda não percebeu que, em Portugal, enquanto não apontar o dedo as coisas não avançam?!

Já estou a ver a reação da pandilha de Socráticos que ainda manda no PS a reagir com satisfação, dizendo que o Presidente mais uma vez censurou o governo pela sua falta de diálogo. Quando na realidade é o PS com o seu eleitorlismo bacoco que não é capaz de qualquer negociação construtiva com os partidos do governo.

Se eu fosse o Presidente, já há muito tempo que tinha tornado público, com uma explicação pedagógica das razões, uma lista básica de regras que não estão abertas a discussão. Por exemplo: não saímos do Euro, temos de diminuir a despesa abaixo de 2% acima do PIB em poucos anos, etc.
Depois chamava os três lideres a Belém, e fazia eu um calendário apertado de reuniões, a sua agenda, e mediava eu mesmo essas reuniões.
Se estamos numa situação de emergência que justifica um esforço dos partidos em atingirem um consenso, acho que também justifica o esforço pessoal do Presidente para ajudar a esse consenso.

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